“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade” (2 Timóteo 2:15,16).
No último dia 20 de agosto, todas as comunidades metodistas no solo da 3ª Região Eclesiástica realizaram a avaliação de seus pastores e cada membro fez sua autoavaliação. Nesse tempo de convocação conciliar, nossa Igreja é chamada a refletir sobre suas práticas ministeriais, seus projetos e, principalmente, seu testemunho enquanto comunidade missionária a serviço do povo.
Nesse período de reflexão e de avaliações, há sempre uma preocupação com os dados, com as informações e com a clareza e transparência dos procedimentos. Somos também desafiados e confrontados com perguntas difíceis de serem respondidas. Não me refiro aqui à questão da permanência ou não de um pastor na vida de determinada comunidade, mas às perguntas que às vezes se encontram nas entrelinhas de um formulário de papel.
Saber para onde queremos ir enquanto Igreja, quais são os desafios missionários e os alvos determinados pelo plano local de ação missionária, como buscamos e desenvolvemos a expansão missionária e o discipulado em conformidade com os documentos e diretrizes da nossa Igreja e até mesmo quais são os pontos fortes e os pontos fracos de nossos ministérios locais. Talvez o preenchimento de nossos formulários não nos traga todas as respostas que desejamos, mas precisamos pensar em quais perguntas, enquanto comunidade, devemos fazer para contribuir com o desenvolvimento da Missio Dei (Missão de Deus) em nosso entorno.
Podemos ter obtido dados e algumas respostas nesse tempo de concílios e de de avaliações, mas o nosso desafio como comunidade de fé é perceber de onde estamos vindo ou como chegamos até aqui, como realmente está a saúde da nossa comunidade, para quais alvos estaremos voltados e como nos fortaleceremos enquanto corpo de Cristo para a missão de fazer discípulos e discípulas.
Nesse aspecto, o relacionamento entre Paulo e Timóteo é um dos exemplos mais poderosos de discipulado no Novo Testamento. Essa parceria, marcada por mentoria e amizade profunda, oferece lições valiosas para o nosso tempo.
Paulo frequentemente se referia a Timóteo como seu “verdadeiro filho na fé” (1 Tm 1:2). Essa linguagem revela o caráter íntimo e paternal da relação entre eles. No discipulado, mais do que alcançar pessoas para uma igreja e ensiná-las, é importante desenvolver laços profundos e pessoais, de forma a conhecermos em profundidade todos que compõem nossa comunidade e como cada um de seus dons pode estar a serviço do Reino. Paulo reconheceu e cultivou as virtudes de Timóteo, incentivando‑o a “não negligenciar o dom que lhe foi dado” (1 Tm 4:14).
Como líderes e discipuladores, devemos identificar e fomentar os dons espirituais daqueles a quem alcançamos e ensinamos, apesar dos desafios, gerando pessoas maduras para a missão, e não uma geração de membros dependentes de programações, calendários e atividades. Os objetivos e metas da nossa comunidade são mais amplos e muito superiores às atividades que possamos realizar, pois, se não houver compromisso com as vidas, com a expansão do Reino de Deus, e amor às pessoas, é vã nossa pregação (1 Co 15).
Paulo não escondeu de Timóteo os desafios do ministério; pelo contrário, foi sincero e escreveu sobre perseguições, sofrimentos e até rejeições. Mas, ao mesmo tempo, sempre oferecia palavras de encorajamento, dizendo, por exemplo, que “Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio” (2 Tm 1:7). Isso ocorria por conta do reconhecimento do próprio Paulo quanto às suas limitações e principalmente pela iminência de sua morte. Assim, era necessário que Paulo preparasse Timóteo para que este continuasse a obra do Senhor. O apóstolo exortou seu discípulo a “guardar o padrão das sãs palavras” e a transmitir “a pessoas fiéis” tudo o que havia aprendido (2 Tm 1:13; 2:2), revelando-nos a importância de se preparar a próxima geração.
O discipulado de Paulo para Timóteo se tornou um testemunho da importância do investimento pessoal, da formação, do encorajamento e da preparação para a continuidade da missão. E nós? Temos desenvolvido em nossas igrejas o discipulado preparador, gerador de maturidade e autonomia para nossos membros? Ou temos buscado a centralidade e dependência em nossas lideranças e em nosso ativismo?
Neste tempo de avaliação e reflexão, que possamos aprender a investir na formação de discípulos, os quais, por sua vez, formarão outros discípulos, num ciclo contínuo de crescimento e expansão do Reino de Deus. Assim nós nos tornaremos uma igreja forte, vibrante, corajosa e autônoma. Ao mesmo tempo, iremos reconhecer nossas limitações pessoais e até mesmo de liderança, a fim de crescermos como corpo de Cristo, em unidade, serviço e amor. Que esse processo de avaliação seja revelador, orientador e facilitador para nossas comunidades em todas as suas decisões, projetos e sonhos para o futuro.
Que Deus nos abençoe e nos fortaleça para Sua missão!

Seminarista Paulo Roberto L. Almeida Junior
