Graças a Deus pelas nossas crianças!

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“Jesus e as Crianças”, por Emil Nolde (1910)

Jesus e as Cri­an­ças”, por Emil Nol­de (1910)

Muitos acham que elas atra­pa­lham o cul­to, tumul­tu­am o ambi­en­te e não enten­dem nada do que está acon­te­cen­do. Para estes, o melhor seria que as cri­an­ças nem fos­sem para a igre­ja e, se tives­sem de ir, que ficas­sem escon­di­di­nhas, reclu­sas numa “sali­nha”, fazen­do o seu “cul­ti­nho”.

Mas, se aque­les que pen­sam assim fos­sem a uma igre­ja na qual não hou­ves­se nenhu­ma cri­an­ça, ou ape­nas uma ou duas, logo che­ga­ri­am a duas con­clu­sões bási­cas: pri­mei­ro, aque­le cul­to seria incom­ple­to, pois as cri­an­ças têm seu lugar e seu papel asse­gu­ra­dos no Rei­no de Deus; segun­do, aque­la igre­ja cer­ta­men­te esta­ria com seu futu­ro pro­fun­da­men­te com­pro­me­ti­do sem a pers­pec­ti­va de novas gera­ções. Por isso, deve­mos dar gra­ças a Deus pelas pre­ci­o­sas vidas das cri­an­ças que fazem par­te da nos­sa comu­ni­da­de de fé!

É cer­to que esse con­ví­vio de dife­ren­tes gera­ções nem sem­pre é fácil, mas não exis­te nada mais impor­tan­te para a cami­nha­da de uma igre­ja do que a tole­rân­cia e o bom con­ví­vio entre as dife­ren­tes gera­ções que dela fazem par­te. Isso sina­li­za o quan­to uma comu­ni­da­de de fé deve ser inclu­si­va e que, para sua per­pe­tu­a­ção ao lon­go do tem­po, os mais novos pre­ci­sam rela­ci­o­nar-se bem com os mais velhos, a fim de que haja a trans­mis­são de prin­cí­pi­os, valo­res e prá­ti­cas.

Nos­so dese­jo é que a igre­ja seja um espa­ço onde as cri­an­ças se sin­tam bem e tenham o direi­to de par­ti­ci­par e de se expres­sar. Cer­ta­men­te pre­ci­sa­mos evo­luir mui­to no que diz res­pei­to às opor­tu­ni­da­des que as cri­an­ças devem ter em nos­sa igre­ja, mas sen­ti­mos que esta­mos no cami­nho cer­to.

Quan­do olha­mos para o minis­té­rio ter­re­no de Jesus, per­ce­be­mos, con­for­me rela­ta­do nos Evan­ge­lhos, que as cri­an­ças – os peque­ni­nos, como Ele gos­ta­va de cha­má-las – tinham um espa­ço pri­vi­le­gi­a­do em Sua vida.

O epi­só­dio mais emble­má­ti­co de todos cer­ta­men­te é o do deba­te dos dis­cí­pu­los sobre quem seria o mai­or entre eles (Mt 18:1–11). Para res­pon­der à ques­tão, Jesus pegou uma cri­an­ça, colo­cou-a no meio deles e dis­se: “Em ver­da­de vos digo que, se não vos con­ver­ter­des e não vos tor­nar­des como cri­an­ças, de modo algum entra­reis no rei­no dos céus”. Ao colo­car a cri­an­ça “no meio deles”, Jesus esta­va demons­tran­do que elas não devem ficar à mar­gem, excluí­das na peri­fe­ria da vida, mas no cen­tro da comu­ni­da­de, rece­ben­do aten­ção e pro­te­ção, para que, além de tudo, pos­sam ser­vir de parâ­me­tro para quem quer ter o pri­vi­lé­gio de entrar no Rei­no dos Céus.

Que cada um de nós e a igre­ja como um todo enten­da­mos a ori­en­ta­ção do Mes­tre. As cri­an­ças devem ter um lugar pri­vi­le­gi­a­do na igre­ja, sen­do pro­te­gi­das e ori­en­ta­das no cami­nho em que devem andar. E assim elas nos aju­da­rão a ser­mos pes­so­as melho­res, mais sim­ples, mais humil­des e mais puras de cora­ção.

Agra­de­ça­mos a Deus pela vida das nos­sas cri­an­ças e cla­me­mos para que Ele não per­mi­ta que seja­mos pedra de tro­pe­ço para nenhu­ma delas.

De uma cri­an­ça cres­ci­da,

Pr Tiago Valentim

Rev. Tia­go Valen­tin

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