Dependentes de Deus

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“O Grito do Ipiranga”, por Pedro Américo (1888)

O Gri­to do Ipi­ran­ga”, por Pedro Amé­ri­co (1888)

No dia 7 de setem­bro, lem­bra­mos os 195 anos de um epi­só­dio que mar­cou a his­tó­ria da nos­sa nação: o cha­ma­do Dia da Inde­pen­dên­cia, data em que, sim­bo­li­ca­men­te, o prín­ci­pe regen­te Dom Pedro decla­rou a inde­pen­dên­cia do Bra­sil em rela­ção à sua metró­po­le, Por­tu­gal. Sabe­mos que há mui­tas nuan­ces nes­se fato his­tó­ri­co, que a coi­sa não foi bem assim e que até mes­mo a famo­sa obra de Pedro Amé­ri­co inti­tu­la­da O Gri­to do Ipi­ran­ga, a qual retra­ta o epi­só­dio às mar­gens do famo­so ria­cho, é uma inter­pre­ta­ção mui­to par­ti­cu­lar do artis­ta, pois o fato em si não teria sido tão por­ten­to­so como foi pintado.

Tra­zen­do mais para o nos­so con­tex­to, tam­bém nes­te iní­cio de setem­bro reme­mo­ra­mos o dia em que a Igre­ja Meto­dis­ta no Bra­sil ofi­ci­a­li­zou seu pedi­do de auto­no­mia em rela­ção à Igre­ja Meto­dis­ta Uni­da dos Esta­dos Uni­dos da Amé­ri­ca. A par­tir de 2 de setem­bro de 1930, nos­sa igre­ja no Bra­sil pas­sou a ser inde­pen­den­te na sua admi­nis­tra­ção, embo­ra tenha per­ma­ne­ci­do por alguns anos subor­di­na­da finan­cei­ra­men­te à igre­ja mãe, ain­da que de for­ma parcial.

Pare­ce-nos que o movi­men­to natu­ral dos povos e das orga­ni­za­ções é o de lutar por sua inde­pen­dên­cia. Assim é tam­bém com as pes­so­as, sem­pre bus­can­do não depen­der de nada nem de ninguém.

A auto­no­mia inte­gral e com­ple­ta é, de fato, sinô­ni­mo de suces­so, de rea­li­za­ção, uma ver­da­dei­ra con­quis­ta. Entre­tan­to, do pon­to de vis­ta espi­ri­tu­al, Deus fez tudo para que nós depen­dês­se­mos de Sua gra­ça. No con­tex­to mes­si­â­ni­co, optar pela inde­pen­dên­cia seria dizer para Deus que a huma­ni­da­de pode­ria viver sem Sua mise­ri­cór­dia, sem Seu per­dão, sem Sua gra­ça. Ou seja, a liber­da­de esta­va na mor­te e em viver total­men­te na depen­dên­cia de Deus. Por isso, Jesus esco­lheu a mor­te, pois era o úni­co cami­nho que pode­ria levar à vida.

A irô­ni­ca coro­a­ção de Jesus rea­li­za­da pelos guar­das roma­nos horas antes da Sua cru­ci­fi­ca­ção seria pro­fun­da­men­te ofus­ca­da pela coroa de gló­ria que Deus con­fe­riu a Ele três dias depois de Sua mor­te, quan­do res­sus­ci­tou den­tre os mor­tos, con­ce­den­do a toda a Cri­a­ção a pos­si­bi­li­da­de de se reco­lo­car na total depen­dên­cia da gra­ça de Deus.

À medi­da que nos vol­ta­mos para Deus e dese­ja­mos depen­der d’Ele, nós nos tor­na­mos tam­bém code­pen­den­tes uns dos outros, pois a gra­ça e o amor de Deus se mani­fes­tam tam­bém na vida do pró­xi­mo. Depen­der de Deus é reco­nhe­cer que, sem estar­mos liga­dos à videi­ra, nada pode­mos fazer.

Somos leva­dos por uma série de fato­res a viver e demons­trar que somos inde­pen­den­tes. Em cer­ta medi­da, a inde­pen­dên­cia é salu­tar, pois nos ama­du­re­ce e nos aju­da a reco­nhe­cer nos­sas poten­ci­a­li­da­des e limi­ta­ções. Mas, quan­do essa inde­pen­dên­cia se trans­for­ma em autos­su­fi­ci­ên­cia, cer­ta­men­te esta­re­mos em dis­cor­dân­cia com aqui­lo que Jesus nos con­ce­de e pro­põe por meio do Seu sacrifício.

Tal­vez, em alguns aspec­tos da vida, ser inde­pen­den­te e autô­no­mo pos­sa de fato refle­tir nos­sa matu­ri­da­de, desen­vol­vi­men­to pes­so­al, pro­fis­si­o­nal e rela­ci­o­nal. Con­tu­do, se qui­ser­mos viver inde­pen­den­tes da Fon­te da Vida, toda nos­sa supos­ta auto­no­mia se trans­for­ma­rá numa mor­te len­ta, silen­ci­o­sa e solitária.

Depen­der de Deus é reco­nhe­cer que não pode­mos nada sem Ele, que não somos nada sem Ele e que não sabe­mos de nada sem Ele!

Do ami­go e pastor,

Pr Tiago Valentim

Rev. Tia­go Valentin

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